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Como o cigarro eletrônico afeta os pulmões? Conheça os riscos do vape

Eles podem ter diferentes formatos, sabores e aromas e, muitas vezes, são apresentados como uma alternativa menos prejudicial ao cigarro convencional. Mas os cigarros eletrônicos, também conhecidos como vapes, pods ou dispositivos eletrônicos para fumar, não são inofensivos.

Ao aquecer líquidos que podem conter nicotina, aromatizantes e diversas outras substâncias, esses dispositivos produzem um aerossol que é inalado e chega diretamente ao sistema respiratório. Mas como o cigarro eletrônico afeta os pulmões?

 

O que o cigarro eletrônico libera?

Diferentemente do cigarro tradicional, o cigarro eletrônico não produz fumaça pela queima do tabaco. Isso, porém, não significa que o que sai do dispositivo seja simplesmente “vapor de água”.

O aerossol pode conter nicotina, partículas ultrafinas, compostos orgânicos voláteis, substâncias potencialmente cancerígenas e metais, além de diferentes aromatizantes.

A composição varia conforme o produto, o líquido utilizado e até as características do próprio dispositivo. Ao serem inaladas, essas substâncias entram em contato com as vias respiratórias e podem provocar diferentes efeitos no organismo.

 

Quais são os efeitos do cigarro eletrônico nos pulmões?

Os pulmões foram desenvolvidos para realizar trocas gasosas com o ar, e não para receber repetidamente aerossóis contendo substâncias químicas.

Estudos apontam que o uso de cigarros eletrônicos pode estar relacionado a inflamação das vias respiratórias, estresse oxidativo e alterações nos mecanismos de defesa pulmonar.

O uso também pode provocar sintomas respiratórios, como:

  • tosse
  • irritação na garganta
  • falta de ar
  • chiado no peito
  • desconforto ou dor torácica

A presença desses sintomas não deve ser considerada normal simplesmente porque a pessoa utiliza vape.

 

Vape pode causar inflamação pulmonar?

Sim. A exposição ao aerossol dos cigarros eletrônicos pode desencadear respostas inflamatórias no sistema respiratório.

As partículas e substâncias químicas inaladas entram em contato com o epitélio das vias aéreas, estrutura que funciona como uma importante barreira de proteção dos pulmões.

Além da inflamação, pesquisas vêm investigando alterações na resposta imunológica e na capacidade do sistema respiratório de se defender de agentes externos. Como esses produtos são relativamente recentes, os efeitos de décadas de exposição ainda não são totalmente conhecidos.

 

O cigarro eletrônico pode causar lesão pulmonar grave?

Existe uma condição conhecida como EVALI, sigla em inglês para lesão pulmonar associada ao uso de cigarros eletrônicos ou produtos de vaping.

O quadro ganhou destaque após um surto registrado nos Estados Unidos em 2019. A investigação encontrou forte associação entre os casos e produtos contendo THC, especialmente aqueles provenientes de fontes informais, além da presença de acetato de vitamina E em muitas amostras.

A EVALI pode provocar sintomas como falta de ar, tosse, dor no peito e, em alguns casos, manifestações gastrointestinais e febre. Casos graves podem exigir internação hospitalar e suporte respiratório.

Isso não significa que todo usuário de cigarro eletrônico desenvolverá EVALI, mas demonstra que a inalação de substâncias presentes nesses dispositivos pode provocar lesões pulmonares potencialmente graves.

 

Cigarro eletrônico faz menos mal que cigarro convencional?

Essa comparação exige cuidado.

O cigarro convencional está relacionado a uma enorme carga de doenças e mortes e libera milhares de substâncias durante a combustão. O fato de o cigarro eletrônico não envolver a mesma combustão não permite classificá-lo como seguro para os pulmões.

Além disso, “menos prejudicial” não significa “sem risco”. Pessoas que nunca fumaram não devem começar a utilizar cigarros eletrônicos acreditando que se trata de um hábito inofensivo.

Outro problema é o chamado uso dual, quando a pessoa continua fumando cigarros convencionais enquanto também utiliza dispositivos eletrônicos. Nesse cenário, a exposição aos riscos do tabagismo permanece.

 

Vape tem nicotina?

Muitos cigarros eletrônicos contêm nicotina, substância que causa dependência.

Alguns dispositivos utilizam sais de nicotina, que permitem a inalação de concentrações elevadas com menor irritação na garganta. Isso pode facilitar um consumo frequente ao longo do dia.

A nicotina também merece atenção especial entre adolescentes e jovens, período em que o cérebro ainda está em desenvolvimento.

Além disso, a variedade de sabores e a aparência tecnológica dos dispositivos podem contribuir para uma percepção equivocada de menor risco.

 

Cigarro eletrônico pode piorar asma e outros problemas respiratórios?

Para quem já possui uma doença respiratória, inalar substâncias irritantes pode ser especialmente preocupante.

Há evidências de associação entre o uso de cigarros eletrônicos e sintomas respiratórios, e estudos continuam investigando seu impacto sobre condições como a asma e a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

Pessoas com doenças pulmonares devem conversar com o pneumologista sobre qualquer forma de tabagismo ou uso de dispositivos eletrônicos.

 

E quem está perto de uma pessoa usando vape?

O aerossol liberado pelo cigarro eletrônico também pode expor outras pessoas a nicotina e outras substâncias.

Por isso, não é adequado considerar o uso desses dispositivos em ambientes compartilhados como uma prática sem consequências para quem está ao redor.

Crianças, gestantes e pessoas com doenças respiratórias merecem atenção especial diante da exposição involuntária.

 

Como parar de usar cigarro eletrônico?

A dependência de nicotina pode tornar difícil abandonar o vape, especialmente quando o dispositivo é utilizado diversas vezes ao longo do dia.

O tratamento pode envolver avaliação do padrão de consumo, identificação dos gatilhos para o uso, estratégias comportamentais e, quando indicado, tratamento para a dependência de nicotina.

Buscar orientação médica pode ajudar a definir a abordagem mais adequada para cada pessoa.

 

Vape não é apenas “vapor”

Quando falamos sobre cigarro eletrônico e saúde pulmonar, um dos principais pontos é abandonar a ideia de que esses dispositivos liberam apenas um vapor inofensivo.

Os pulmões ficam expostos a um aerossol que pode conter nicotina e diversas outras substâncias capazes de provocar efeitos no sistema respiratório. E, embora ainda existam perguntas sobre as consequências de décadas de uso, já há motivos suficientes para não considerar o cigarro eletrônico seguro.

Se você utiliza vape e apresenta tosse persistente, chiado, falta de ar, dor no peito ou outros sintomas respiratórios, procure avaliação médica. E, mesmo na ausência de sintomas, buscar ajuda para interromper o uso é uma importante medida de cuidado com a saúde pulmonar.

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